sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O que há em mim é sobretudo cansaço


O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos
Foto: Olhares.com/Nelson Santos


É assim que me sinto... cansada... muito cansada.
O final do ano de 2008 foi complicado e intenso e o início de 2009 ainda mais difícil e doloroso foi. A morte do meu pai. O apoio necessário à minha mãe, depois de 53 anos de vida em conjunto. A falta que lhe faz o seu companheiro de sempre. O aproximar da data de aniversário dele, no próximo dia 22, que intensifica a saudade de alguém que está ainda tão presente entre nós.
Os dias passaram rápido e houve tanta coisa a tratar que nos foi ocupando os pensamentos e as acções. Agora que a poeira começa a assentar, as forças começam a desaparecer ou apenas a esgotar todas as energias que havia para gastar.
Ultimamente, sinto que estou diferente. Sem vontade para nada. Uma dificuldade enorme em me concentrar. Também tenho tido imenso trabalho, o que intensifica o meu cansaço físico e psicológico. Vou aos vossos blogues, mas quando quero comentar, fico completamente bloqueada e as palavras não saem. Limito-me a ler-vos à procura de uma distracção, um ânimo, uma energia exteriores a mim própria. A isso chamo partilha. Um pouco de vós que recebo com muito prazer.
Espero que os quatro dias que aí vêm sirvam para recompor-me um pouco, buscar forças e energias onde elas ainda existam, aproveitar para descansar e, acima de tudo, tentar organizar ideias e colocá-las nos sítios devidos.
Espero não ter sido maçadora com este meu texto meio baralhado e perdido, mas é assim que me sinto actualmente e hoje em particular. Por isso, aqui estou eu, no meu blogue, para desabafar comigo própria.
Obrigada por me lerem e pelo vosso carinho e apoio, sempre que deles preciso.

24 comentários:

Nuno Pereira disse...

Vou passar umas feriazitas aos Pirinéus para desanuviar o stress e encher o peito de ar puro.
Vou fazer algo de diferente. Esquiar, rebolar como uma criança, encher-me de neve pura e abraça-la tão intimamente para que ela penetre em mim e renove este corpo habituado aos vícios citadinos.
Ao ler o teu cansaço que te colhe a alma, apetece-me ir aí buscar-te e levar-te comigo para partilhares a louca imensidão da neve e tudo o que a rodeia.
E gritares bem alto como forma de expulsares a tristeza o desânimo, para os confins da montanha, despertando os espíritos bons que lá habitam na esperança de eles te envolverem e com o seu calor divino te abençoarem e fortificarem o teu amor que sentes pelos que mais adoras.
Chego até ti pelas palavras que escrevo!
Sinto nestes poucos contactos que ganhei uma nova amiga. Uma amiga cheia de sentimentos e preocupada em ajudar os que a rodeiam em detrimento de si própria.
Como já és uma amiga e como infelizmente não poderei levar-te para te guiar na procura da frescura que te iria devolver a alegria um pouco perdida. Prometo-te que te trarei um punhado de neve cristalina e em forma de palavras, logo que regresse envio-te pelo blogue que me fez conhecer uma nova amiga.
Um beijinho já com gosto a neve derretida.

Eu mesma! disse...

Minha linda...
acho que cansaço é a palavra que caracteriza toda a gente neste momento....

eu estou ansiosa por passar 4 diazinhos sem trabalhar....

e não...
não foste macadora...

tenta é aproveitar estes dias de solinho!

OnlyMe disse...

Nuno, o que posso eu dizer?!... Obrigada!!
Reparei agora que devo andar mesmo em baixo, porque conseguiste emocionar-me!
Eu ía sim... É bom saber que está um amigo desse lado! Eu sinto isso!! Fico à espera da neve!...
Umas boas férias para ti e aproveita bem. Depois mandas-me umas fotos. Prometes?? :D
Perdoa-me a ausência no teu blogue, mas sabes o porquê!

Jinhos :)

OnlyMe disse...

Eu mesma!, estou a contar com eles e muito! Espero que sim... que consiga descansar e paz de espírito... preciso dela!
Um bom descanso também para ti!! :D

Jinhos :)

DANTE disse...

Olha Only...um beijo :)

OnlyMe disse...

Olha Dante... outro para ti também ;)
Jinhos :)

Big Girls Don't Cry disse...

Esse cansaço é partilhado por muitos...
mas força e tenta descansar a alma e corpo nestes proximos dias
beijo e força

maripoza disse...

OnlyMe,

Tal como a ti, também a mim muitas vezes sem me embargam as palavras quando quero comentar... como é o caso agora com este teu post...

Só consigo envolver-te em pensamento com as minhas asas e dar-te uma braço de conforto, força e ânimo... e dizer-te que tentes aproveitar estes dias para descansar, apanhar um pouco de sol...

Beijinho esvoaçante

escarlate.due disse...

e eu espero que te recomponhas rápido!
um enorme beijo para ti

as velas ardem ate ao fim disse...

Percebo te tão bem.~

Parec que não me sinto de tão cansada que ando.fsisco.psicologico.

fugir era o que eu queria...

um abraço apertadinho

Incapaz disse...

Maçadora? De todo...
É dos textos que mais aprecio. Que saem do coração.
O meu blog é uma extensão disso mesmo. É ali que descarrego e é ali que vocês me vão apoiando.
Estava-te a ler e estava-me a imaginar há uns anos atrás. Não deves estar a passar uma fase nada fácil. A perda de um ente querido é algo muito doloroso. E se fores como eu, o mais doloroso ainda é ver o desgosto e asolidão da outra pessoa que cá fica.
Li-te e revi-me.
Deixo-te um texto que fiz à minha mãe em 2006.

Sinto tanto a tua falta!

É para ti minha MÃE.

Faz hoje quatro anos que me abandonaste.
Tu, a única mulher que realmente me amou.
Foram poucas as vezes que tenho chorado por ti, é certo, mas sempre soubeste que eu raramente mostrei ou mostro os meus sentimentos. Talvez não o devesse fazer, bem sei, dei conta disso esta semana.

Ainda me lembro daquele dia, o mais infeliz de toda a minha vida.
Daquele dia em que passámos do céu para o inferno.
Daquele momento em que o médico me disse que poucos meses te restariam e que seriam sempre de imenso sofrimento.
Foram seis meses entre hospital, casa, exames, operações, quimioterapias e internamentos.
Tudo se fez na busca de uma salvação ou de um adiamento do dia que sabia que havia de chegar.

Recordo ainda com saudade aquela frase que tantas vezes repetiste: “Quando tu chegas até parece que fico melhor”. Nunca corri tanto na minha vida para estar nem que fosse um minuto contigo. Mais um minuto contigo. Nunca sabia se seria o último. Não me arrependo de nada, corria por gosto, não cansava.
Ainda me lembro de brincar e gozar contigo como se nada de passasse, como que fosse uma coisa passageira.
Registo com saudade esses momentos em que nada mais parecia importar.
Por vezes dizias-me que estavas muito mal, e eu gozava contigo dizendo que no fim tinhas que seguir o túnel de luz branca, que por acaso até desconhecias. Mas dizias-me como a queres-me dar a entender o que eu já sabia e que nunca tive coragem de te dizer frontalmente.
Por um lado tu sabias o que sentias. Acho que também nunca me quiseste dizer que era o fim, embora ambos o soubéssemos. Estava no nosso olhar.
Só não te queria retirar a esperança, essa que sei que no fundo era o que te levava a lutar contra tudo.

Relembro com saudade a última vez que falei contigo, no dia do teu aniversário, dois dias antes do dia fatídico, enquanto te massajava as pernas como tu tanto gostavas.
Consola-me o facto de ter estado a teu lado quando me deixaste.
Estávamos de mãos dadas quando tu deste os teus últimos fôlegos como que me a dizer adeus. Doeu, doeu muito, mas pelo menos pude estar contigo no fim.
É nestes momentos que dizemos que não vamos fazer planos e que vamos viver a vida um dia de cada vez, mas, estupidamente, por vezes continuo a cair no erro de não o fazer.

Hoje, vou ao cemitério tentar estar ao pé de ti mais um bocadinho e lá vem aquela calma, aquela calma como só a tinha presenciado quando estava contigo naqueles momentos mais difíceis. Uma sensação de calma como nunca tinha sentido. Aquela calma indescritível que só aparecia assim que estava contigo.
Porra, porque será que só vão as boas pessoas?

Grande beijo deste teu filho que jamais te esquecerá e que sente muito a tua falta.
Sei que um dia ainda nos vamos encontrar.

OnlyMe disse...

Big Girls, bem vinda aqui ao meu cantinho. Obrigada pela força e volta sempre que queiras!

Jinhos :)

OnlyMe disse...

maripoza, obrigada linda pelo apoio. Estes dias vão ser bons para recuperar um pouco o ânimo e tentar descansar esta cabeça que pensa demais e anda um pouco, muito, desnorteada.

Jinhos :)

OnlyMe disse...

Obrigada escarlate. São fases... vai passar!
Gosto de te ver por cá! ;)

Jinhos :)

OnlyMe disse...

Fugir achas que resolve, vela?! Não me parece! O que somos, o que sentimos, o que pensamos... vão também... não nos conseguimos separar! O melhor mesmo é enfrentar, lutar, resistir... não desistir!
...Sempre que uma porta se fecha, abre-se uma janela... dizem... esperemos então!

Jinhos :)

OnlyMe disse...

Incapaz, é muito complicado lidar com a perda de alguém que amamos, mesmo sabendo que foi a melhor solução, porque vermos alguém sofrer e não podermos fazer nada, é das piores coisas que podem acontecer. O que se sente é um turbilhão de emoções que são inexplicáveis.
É o ciclo da vida. Nascer e morrer!
É difícil a adaptação, o lidar com a saudade, o ter de remexer em memórias, alegrias, tristezas... o encerrar de uma vida!... Tu sabes do que falo!
Mas tudo irá acalmar...
Obrigada por partilhares comigo esse momento que tanto te marcou e o apoio que me transmites.

Jinhos :)

paulofski disse...

Às vezes nem apetece dedilhar o teclado, nem as asas das palavras.
Tudo é cansaço, apenas cansaço do corpo, cansaço da alma. Tenta repousar.

mdsol disse...

Only

Já em tempos publiquei este poema do A Campos!
O Pessoa sabia das pessoas...

Mas passa... A vida (nós) tem (os) uma capacidade de regeneração impensável!

:)))

sonhos/pesadelos disse...

nunca serás maçadora linda, nunca! Cansaço...tb o sinto, motivos diferentes mas sei o que é...uma lufada de ar fresco é o que te desejo!
bjs endiabrados

susana disse...

Olá Only:) Queria enviar-te um abraço e dizer-te umas coisas. Todos nós sentimos cansaço em algum momento da vida...mas também ele tem uma função. Secalhar cortar amarras com o que te desgasta, estará na hora?:) se estiver hade ser muito melhor o que aí vem. Não sei o que tens, não nos conhecemos para além das palavras e mesmo estas são dúbias, mas queria dizer-te que envio daqui um abraço muito grande e tenho a certeza que tudo na vida se equilibra, portanto a momentos maus seguem-se momentos maus. E nada na vida é determinista.
Gosto de te ler.
su

OnlyMe disse...

É isso, paulofski. Assim farei... ou, pelo menos, tentarei!

Jinhos :)

OnlyMe disse...

Estou a contar com isso, mdsol. Fico à espera desse poder que a vida(nós) tem(os)!

Jinhos :)

OnlyMe disse...

sonhos, obrigada pelo carinho linda!

Jinhos para ti :)

OnlyMe disse...

su, obrigada pelas palavras de apoio. São sempre muito gratificantes. A poeira há-de assentar. Só preciso de dar tempo ao tempo... só isso!

Jinhos :)